Como apagar – parte – das marcas da violência doméstica

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Jornal O Dia

Como apagar - parte - das
marcas da violência doméstica

A violência de gênero tem números alarmantes no Brasil. Quando não há fatalidade, as vítimas carregam as marcas psicológicas e emocionais – e precisam de ajuda profissional, como psicólogos e terapeutas em geral. Recentemente, a Hipnose passou a ser uma opção para essas mulheres, como explica Michael Arruda, que usa a técnica para livrar as pacientes de fobias e traumas

Hipnose segunda Bete / ARTE KIKO

Rio – A partir de 2006, com a chegada da Lei Maria da Penha, ficou mais claro para a sociedade perceber a violência de gênero. Quando não há fatalidade, as vítimas carregam as marcas psicológicas e emocionais. Nessa hora, é imprescindível uma ajuda profissional, como psicólogos, terapeutas em geral e, mais recentemente, as vítimas têm buscado ajuda na Hipnose. Para o Hipnoterapeuta Michael Arruda, a técnica, que nem sempre vem à cabeça quando se procura ajuda para superar os traumas decorrentes da violência doméstica, pode ser uma boa saída para essas mulheres.

“Na mente de muitas dessas mulheres, registros traumáticos se instalam, o que acarreta sentimento de culpa, depressão, vergonha, medo, ansiedade, frustração, síndromes, fobias, pânicos, sintomas físicos (vistos na pele, cabelos etc) e até mesmo negação à própria violência. Além desses aspectos, a pessoa vive conflitos de relacionamentos sociais, pessoais, e isolamento e inseguranças fazem com que cada vez mais a pessoa se vitimize e se sinta infeliz. O tratamento com a Hipnose direciona o estado mental da pessoa para superar esse trauma“, comenta Michael Arruda, presidente da OMNI Brasil, centro de treinamento de Hipnoterapia.

Cerca de 17 milhões de mulheres sofreram violência física, psicológica ou sexual no país em 2020, de acordo com o Instituto Datafolha. No ano passado, os observatórios e instituições que cuidam do assunto alertaram para o aumento de casos por conta da quarentena. Até porque a maioria dos agressores são pessoas próximas da vítima – muitas vezes, é seu parceiro íntimo. Dados do Instituto de Segurança Pública – ISP, mostram que mais de 98 mil mulheres foram vítimas de violência doméstica e familiar no Estado do Rio de Janeiro entre janeiro e outubro de 2021. Isso significa cerca de 270 casos por dia, ou 11 vítimas por hora.

Mal planetário

Infelizmente, esse é um mal global. Segundo dados da Organização das Nações Unidas – ONU, um quarto das mulheres no mundo, a partir dos 15 anos, são vítimas da violência de gênero. Enquanto são criadas leis para punir e inibir os agressores, além de estruturas governamentais de apoio e a conscientização da sociedade, é aconselhável que o quanto antes as que já sofreram violência se livrem dos traumas decorrentes da experiência. De acordo com Michael, a Hipnose é uma técnica efetiva, rápida e definitiva, já que são removidas as cargas emocionais negativas e são desvinculados os registros ou experiências traumáticas.

“A Hipnose não apaga a memória do paciente, mas auxilia para que as lembranças não afetem mais a qualidade de vida. Após o tratamento, mesmo que alguém questione a vítima sobre o fato da violência doméstica, imediatamente a lembrança virá à mente, mas sem nenhuma emoção negativa do fato em si”, diz.

Acolhimento e entendimento

As delegacias especializadas de atendimento a mulheres (Deam), que possuem 14 unidades no Estado do Rio, contam com psicólogos, porque é sabido que a agressão física deixa marcas profundas, além dos casos de tortura psicológica. Muitas vezes, o Estado do Rio mantém esses profissionais na Deam por meio da realização de convênios e acordos com os governos municipais e universidades – é válido todo esforço para recuperar essas mulheres interiormente.

Para a terapeuta sistêmica Vera Mendes, que já atuou junto a um grupo de atendimento a mulheres, é importante também que a sociedade entenda como se processam essas relações até que aconteça um episódio de agressão doméstica ou uma tentativa de feminicídio. Para ela, a chave é a comunicação. Estar atento a certos sinais é importante para evitar que a agressão chegue a se concretizar.

“A violência vem quando a palavra não dá conta. O que não é exposto em palavras, acaba culminando em ações. Se mapearmos o que aconteceu antes da violência, descobrimos que o agressor já tinha dados sinais, como bater um portão com força, quebrar um objeto jogando-o na parede, ações desse tipo”, exemplifica.

Vera também chama a atenção para estruturas familiares. “Em algumas famílias, a violência como expressão é naturalizada. Por isso é tão importante que todos se conscientizem dessas situações para entenderem que não é o caminho natural e fiquem alertas e alertem que está dentro desse círculo”, explica a terapeuta.

Como denunciar

Se você perceber que alguma mulher está sofrendo violência doméstica, o número da Central de Atendimento à Mulher é 180, válido em todos os estados e no exterior. O serviço funciona 24h e recebe denúncias, dá orientação de especialistas e faz encaminhamento para serviços de proteção e auxílio psicológico. A ligação é gratuita.

Reportagem na fonte:
https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2022/01/6311633-como-apagar-parte-das-marcas-da-violencia-domestica.html

Hipnose o tratamento mais eficaz que você ainda não prescreveu

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The American Journal of Medicine
Jessie Kittle, MD | David Spiegel, MD

Hipnose o tratamento mais eficaz que você ainda não prescreveu

Apesar da evidência robusta de inúmeras doenças e dados de estudos, a Hipnose é subutilizada por profissionais da área da saúde. O uso da Hipnose cumpre o nosso compromisso de respeitar tratamentos baseados em evidências que aliviam o sofrimento com o mínimo de dano colateral, mas há uma discrepância entre seus benefícios e o número de médicos que oferecem o tratamento. Embora a Hipnose possa aparecer nos currículos médicos em potências acadêmicas como Baylor, Harvard, Columbia e Stanford, o treinamento em Hipnose é raro mesmo nessas instituições. Eis por que uma ressurreição moderna da mais antiga forma ocidental de psicoterapia deve inspirar os profissionais da saúde a se treinarem e oferecerem a Hipnose amplamente.

A Hipnose, e seus mitos e equívocos, evoluíram desde o século 18, quando Franz Mesmer inadvertidamente levou a Hipnose à obscuridade com sua teoria sobre a manipulação de uma força chamada “magnetismo animal”. Essas alegações foram dissipadas pela Academia Real Francesa de Ciências, e levou quase 100 anos para o médico escocês James Braid descrever pela primeira vez uma teoria mental e sugestiva da Hipnose como um estado fisiológico de vigília. A definição de 2014 da Divisão 30 da American Psychological Association descreve a Hipnose como “um estado de consciência envolvendo atenção focada e consciência periférica reduzida, caracterizada por uma capacidade aprimorada de resposta à sugestão”. Evidências empíricas de longa data demonstram que a Hipnose afeta a percepção, os sintomas e os hábitos, que foram recentemente explicadas por modalidades avançadas de diagnóstico, como a ressonância magnética. As mudanças durante a Hipnose incluem atividade reduzida na porção dorsal do córtex cingulado anterior (um componente-chave da rede de saliência) e conectividade entre o córtex pré-frontal e a ínsula (um caminho para o controle mente-corpo). 1Reforçado por dados sobre o metabolismo e a genética dos neurotransmissores, a base neurofisiológica da Hipnose não é mais misteriosa. Embora nossa compreensão do mecanismo de ação da Hipnose seja mais robusta do que a do acetaminofeno, isso não foi suficiente para aumentar seu uso.

Os céticos descrevem a Hipnose de 3 formas: controle mental perigoso, uma farsa ineficaz ou placebo. Muitas vezes, é visto como uma perda de controle e, portanto, perigoso, quando na verdade é um meio poderoso de ensinar os pacientes a controlar a mente e o corpo. A capacidade de entrar em Hipnose, denominada hipnotizabilidade, é uma característica estável possuída pela maioria das pessoas, que pode ser iniciada ou encerrada pelo paciente. Não é indicada em quadros como de acidente vascular cerebral, esquizofrenia, déficits de atenção ou de processamento de linguagem. A Hipnose é mais poderosa que o placebo (embora a expectativa do paciente seja um fator moderador), e o efeito placebo é bloqueado pela administração de naloxona, enquanto a analgesia Hipnótica não.2

Os resultados sobre Hipnose na área da saúde são impressionantes,3 com eficácia comprovada para enxaqueca,4 síndrome do intestino irritável,5 e ansiedade.6 A Hipnose melhora a percepção da dor, o sofrimento emocional e reduz o consumo de medicamentos em até 40%7— em suma, se a Hipnose fosse um medicamento, seria o tratamento padrão. 

Os profissionais da saúde devem prescrever a Hipnose particularmente quando ela supera o quadro padrão atual de atendimento em segurança e eficácia, como no caso de opioides e sedativos.

Os pacientes têm uma forte desejo por assumir o controle de seus sintomas; vídeos de Hipnose online para ansiedade e insônia possuem 15-19 milhões de visualizações, e a Hipnose Médica é bastante aceitável pelos pacientes.8 Mas não se pode esperar que os pacientes diferenciem entre fontes legítimas e manipuladoras de Hipnose online mais do que se comprassem pílulas na rua. Essa modalidade de tratamento está sob a alçada da medicina, e nosso dever é proporcionar um acesso seguro. Para isso, devemos melhorar a oferta.

O treinamento profissional para centros médicos é oferecido por meio de sociedades nacionais, como a Sociedade Americana de Hipnose Clínica (ASCH) e a Sociedade de Hipnose Clínica e Experimental (SCEH). Os treinamentos duram 4 dias e incluem ética e esclarecimento de dúvidas, além de habilidades práticas. O credenciamento do hospital para a aplicação da Hipnose pode ser necessário: Se não houver nenhum, é aconselhável programar um para incluir treinamento profissional e a exigência de orientação. As sociedades de Hipnose podem fornecer orientação para Instituições iniciantes.

O treinamento em Hipnose inclui ferramentas para ajudar nossos pacientes a se ajudarem, o que beneficia todos os nossos pacientes mesmo fora de uma sessão formal. Dizer a um paciente: “Não pense em elefantes roxos” garantirá que eles pensem exatamente nisso. Através das lentes da Hipnose, percebe-se que mesmo a frase comum “Quão ruim é a sua dor” está repleta de associações negativas. Com toda a sua capacidade de confiar em seu médico, os pacientes internalizam “Você tem uma dor forte”. Compare isso com a frase: “Quão confortável você está agora?” O paciente examina seu corpo em busca de conforto em vez de dor e, se for relatado desconforto, pode ser acompanhado com a escala de 0 a 10. Esses ajustes sutis reconhecem o conforto sem o desserviço do sofrimento antecipado. Esta é a arte de cura da medicina.

Além disso, o médico treinado pode praticar a auto-hipnose para controle do estresse, insônia ou ansiedade no trabalho, evitando assim medicamentos que interfiram no seu foco. Nossos pacientes, colegas, estagiários e famílias se beneficiam.

A pesquisa em Hipnose é financiada pelo Centro Nacional de Saúde Complementar e Integrativa – National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH), e os pesquisadores estão fazendo incursões nos aspectos genéticos da hipnotizabilidade, e resposta ao tratamento, e estudando a Hipnose para controle da dor para câncer e cirurgia, controle do tabagismo e controle do estresse em assistência médica. A automação da Hipnose usando gravações, aplicativos baseados na web e dispositivos de alto-falante inteligente está sendo testada para expandir o acesso a intervenções de Hipnose. Da ciência básica à eficácia clínica e à educação médica, a pesquisa em Hipnose de todos os tipos tem relevância para a medicina.

Os profissionais da área da saúde são os embaixadores da evidência. Nosso amplo treinamento e escopo maximizam nossa eficácia como tratadores, mas não devemos perder de vista aquilo que experiencia a doença: a mente humana. Quando a técnica da Hipnose estiver devidamente iluminada, seu papel será bem recebido e respeitado por nossos pacientes. Eles se beneficiarão com menos dor, ansiedade, insônia, hábitos como fumar e os efeitos colaterais que acompanham muitos tratamentos farmacológicos. Seremos beneficiados com a satisfação de reagir com agilidade às melhores evidências de tratamentos mais seguros e, quem sabe, também desfrutar de uma melhor noite de sono. Este é um chamado à ação para o uso mais amplo da Hipnose – com destemidos profissionais da saúde liderando o desafio.

References

1. Jiang H | White MP | Greicius MD | Waelde LC | Spiegel D
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Cereb Cortex. 2017; 27: 4083-4093
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2. Kirjanen S
The brain activity of pain relief during hypnosis and placebo treatment.
J Eur Psychol Stud. 2012; 3: 78-87
https://doi.org/10.5334/jeps.at

3. Stewart JH
Hypnosis in contemporary medicine.
Mayo Clin Proc. 2005; 80: 511-524
https://doi.org/10.4065/80.4.511

4. Flynn N
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https://doi.org/10.1080/00207144.2018.1494432

5. Palsson OS
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Am J Clin Hypn. 2015; 58: 134-158
https://doi.org/10.1080/00029157.2015.1039114

6. Valentine KE | Milling LS | Clark LJ | Moriarty CL
The efficacy of hypnosis as a treatment for anxiety: a meta-analysis.
Int J Clin Exp Hypn. 2019; 67: 336-363
https://doi.org/10.1080/00207144.2019.1613863

7. Tefikow S | Barth J | Maichrowitz S | Beelmann A | Strauss B | Rosendahl J
Efficacy of hypnosis in adults undergoing surgery or medical procedures: a meta-analysis of randomized controlled trials.
Clin Psychol Rev. 2013; 33: 623-636
https://doi.org/10.1016/j.cpr.2013.03.005

8. Krouwel M | Jolly K | Greenfield S
What the public think about hypnosis and hypnotherapy: A narrative review of literature covering opinions and attitudes of the general public 1996-2016.
Complement Ther Med. 2017; 32: 75-84
https://doi.org/10.1016/j.ctim.2017.04.002

O poder Medicinal da Hipnose

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Martha Henriques
BBC Future

O poder Medicinal da Hipnose

EMMANUEL LAFONT/BBC

A ciência da Hipnose tem uma história longa e, de certo modo, extravagante - mas atualmente está emergindo como potente ferramenta terapêutica

Quando David Spiegel soube que a sua próxima paciente o aguardava, ele não precisou perguntar o número do quarto. Sua respiração ofegante podia ser ouvida a meio caminho no corredor.

Ao entrar no quarto da paciente, ele viu uma menina de cabelos ruivos de 16 anos de idade sentada na cama, tomada pelo medo, em meio a um ataque de asma. Ao lado dela, a mãe chorava. A menina havia sido hospitalizada com asma pela terceira vez em três meses.

Spiegel era estudante de medicina em turnos pediátricos no Hospital Infantil de Boston, nos Estados Unidos. O ano era 1970. Como parte dos seus estudos, ele tinha aulas de Hipnose clínica.

A equipe médica da jovem paciente com asma já havia tentado dilatar suas vias aéreas com injeções de adrenalina. Mas, mesmo depois de duas tentativas, o ataque da menina não diminuía. Spiegel não sabia o que mais poderia fazer.

“Você quer aprender um exercício respiratório?”, perguntou ele.

Ela concordou e Spiegel Hipnotizou sua primeira paciente. Depois que a menina entrou no estado de transe característico da Hipnose, Spiegel estava pronto para fazer uma sugestão — o “ingrediente ativo” do tratamento Hipnótico, que em geral se trata de uma afirmação cuidadosamente elaborada para produz uma reação involuntária.

Mas, enquanto a menina estava sentada na cama, calma e concentrada, Spiegel se perguntava qual sugestão deveria fazer. Ele ainda não havia chegado à aula de asma do seu curso de Hipnose.

“Então eu criei algo”, conta ele, relembrando o caso. “Eu disse: ‘cada respiração que você fizer será um pouco mais profunda e um pouco mais fácil’.”

A sugestão improvisada funcionou. Em cinco minutos, a respiração ofegante da paciente havia parado e ela estava deitada na cama, respirando confortavelmente. Sua mãe havia parado de chorar.

Foi um momento didático para o médico e para a paciente. A menina cresceu e se tornou terapeuta respiratória, enquanto Spiegel dedicou sua carreira à Hipnose clínica. Nos 50 anos que se seguiram, ele fundaria o Centro de Medicina Integrada da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e, pelos seus cálculos, já Hipnotizou mais de 7 mil pacientes.

EMMANUEL LAFONT/BBC

Sugestões Hipnóticas podem gerar experiências profundas e incomuns, como ser incapaz de reconhecer seu próprio reflexo no espelho

À primeira vista, a Hipnose parece um daqueles fenômenos psicológicos que simplesmente não deveriam funcionar. Mas o que a torna tão interessante é que, muitas vezes, ela funciona. Entrar em estado Hipnótico, concentrar-se atentamente e ouvir uma sugestão, para muitas pessoas, é o suficiente para tornar aquela sugestão uma realidade.

Quando uma pessoa Hipnotizável ouve que o seu braço começará a se mover sozinho, ele irá. Quando ela ouve que será impossível separar seus dedos entrelaçados, será como se eles estivessem presos com cola.

Quando ela ouve que não se reconhecerá no espelho, ela verá um estranho vagamente familiar imitando seus movimentos através de uma vidraça. E, se a sugestão for que as dores crônicas irão diminuir ou que a ansiedade gradualmente desaparecerá, a Hipnose passa a ser uma ferramenta terapêutica valiosa.

Cada vez mais evidências indicam que a Hipnose é eficaz para muitas pessoas que sofrem de dores, ansiedade, estresse pós-traumático, parto estressante, síndrome do intestino irritável e outras condições. E, para algumas delas, a Hipnose supera os tratamentos padrão em termos de custo, eficácia e efeitos colaterais.

Mas, apesar de décadas de pesquisas sobre a sua importância terapêutica e do entendimento cada vez maior dos seus mecanismos no cérebro, a adoção da Hipnose clínica vem sendo incrivelmente lenta. Isso se deve, em grande parte, ao conceito errôneo de que a Hipnose é pouco mais que um truque de mágica.

“A Hipnose ainda recebe o rótulo de ser algo estranho”, afirma Spiegel. “As pessoas dizem que ela ou é inútil ou é perigosa — nada entre essas duas definições. E ambas estão erradas.”

Começo 'mesmérico'

Práticas como a Hipnose existem em muitas culturas espalhadas pelo mundo há séculos. Desde o transe nas práticas de cura tradicionais do sul da África até o xamanismo na Sibéria, na Coreia e no Japão e a medicina nativa norte-americana, muitas práticas exploram a capacidade do corpo de entrar em estado Hipnótico.

A Hipnose chegou um pouco mais tarde à Europa e à América do Norte e as origens da versão ocidental da Hipnose datam do final do século 18.

Em 1775, o médico alemão Franz Mesmer popularizou a teoria do magnetismo animal. Mesmer acreditava que um fluido magnético invisível viajava através do corpo humano, influenciando nossa saúde e comportamento.

Mesmer tomou para si a tarefa de manipular esse fluido, refinando uma técnica que ficou conhecida como “mesmerismo”.

Durante sua prática médica no então chamado império Habsburgo e posteriormente em Paris, na França, ele descobriu que, sustentando o olhar do paciente e concentrando-se atentamente nele, às vezes fazendo movimentos como passar sua mão do ombro até o braço, ele conseguia resultados terapêuticos.

Mesmer ficou rapidamente famoso – e cada vez mais extravagante. Seus salões em Paris eram “sombrios e sugestivos, com cortinas, grossos tapetes e decorações astrológicas nas paredes”, descreve Jessica Riskin, professora de história da Universidade de Stanford. “O próprio Mesmer vestia-se com uma toga de tafetá lilás.”

Apesar da popularidade de Mesmer, o magnetismo animal logo saiu de moda, mas o fenômeno explorado por Mesmer ganhou força no século 19 com um novo nome: Hipnose.

Diversos médicos ilustres desenvolveram sucessivas teorias sobre a sua natureza, distanciando a Hipnose das suas origens “mesméricas”. O mais famoso deles foi o fundador da psicoterapia ocidental, Sigmund Freud, que fez algumas das suas análises mais conhecidas com base nos prontuários de pacientes como “Anna O” (a feminista judia austríaca Bertha Pappenheim), que um de seus colaboradores, Josef Breuer, tratou com Hipnose entre 1880 e 1882.

Posteriormente, Freud abandonou a Hipnose em favor da sua técnica de “livre associação”, não sem antes a terapia Hipnótica moldar as bases da psicoterapia ocidental.

O mau uso da Hipnose

Enquanto os médicos exploravam seu potencial terapêutico, a Hipnose também desenvolvia seus usos pelo mundo do showbusiness.

Os mal-afamados Hipnotizadores populares faziam tours pela Europa, sugerindo aos participantes que imitassem galinhas, ficassem rígidos como tábuas ou presenciassem uma aparição da Virgem Maria. Os debates públicos sobre a Hipnose intensificaram-se nos anos 1880, até que alguns países começaram a promulgar leis para regulamentar o seu uso.

A preocupação com os abrangentes efeitos da Hipnose atingia seu ápice à medida que se aproximava a virada do século.

Em setembro de 1894, Ella Salamon, de 22 anos de idade, morreu depois que ser Hipnotizada por um ocultista em um castelo em uma área remota na Hungria. A história reverberou pela comunidade médica e pela imprensa na Europa e na América do Norte.

Três meses depois, na Alemanha, a baronesa Hedwig von Zedlitz und Neukirch, em busca de tratamento para dores do estômago e de cabeça, encontrou um homem que se apresentava como “curador magnético” chamado Czeslaw Czyński. Ele supostamente usou a Hipnose para seduzir a baronesa por diversas sessões, culminando em um casamento que causou consternação entre a aristocracia alemã.

A baronesa passou vários meses afirmando que estava realmente apaixonada por Czyński, que tinha olhos atraentes, cabelos exuberantes e dentes brancos.

Naquele mesmo ano, o escritor franco-britânico George du Maurier criou o Hipnotizador fictício Svengali, no romance best-seller Trilby. O público devorou o livro em meio às notícias do caso Czyński, afirmando que havia paralelos fantásticos entre as duas histórias.

Escândalos como esses intensificaram os esforços de médicos para se distanciar dos ocultistas e Hipnotizadores populares e legitimar o seu próprio trabalho. Muitos médicos defendiam que a Hipnose não deveria ser realizada por praticantes leigos.

Mais de um século se passou e essa tensão ainda não foi resolvida. Muitos pesquisadores acadêmicos e praticantes clínicos com quem conversei ainda defendem que a prática do Hipnotismo pelos leigos é perigosa e que sua má reputação inibiu o desenvolvimento mais amplo da Hipnose na medicina.

Mas, com cada vez mais exemplos da sua eficácia clínica na literatura e novas descobertas sobre o seu mecanismo no cérebro, pesquisadores e médicos estão concentrando seu trabalho na reabilitação da Hipnose.

O legado dos excêntricos experimentos de Mesmer é um conjunto diverso de pesquisas, que variam desde experimentos independentes em meados do século 20 misturando Hipnotismo, cobras e ácido concentrado, até estudos publicados em periódicos médicos importantes sobre a Hipnose como potente meio de alívio de dores sem o uso de medicação.

Mas, antes de examiná-los, decidi que seria uma boa ideia experimentar a Hipnose pessoalmente.

EMMANUEL LAFONT/BBC

A Hipnose popular pode envolver sugestões como imitar animais, e os estudiosos preocupam-se com suas possíveis consequências prejudiciais

Em busca da experiência

Em uma tarde de segunda-feira, enquanto me aproximo do consultório do neurocientista cognitivo Devin Terhune, da Universidade Goldsmiths, em Londres, começo a ficar nervosa por dois motivos.

Primeiro, porque nunca fui Hipnotizada antes. Embora eu já tenha falado com diversos pesquisadores e médicos, saber um pouco sobre a teoria não fez com que eu me sentisse preparada para uma sessão real. Afinal, algumas pessoas relatam experiências profundas durante a Hipnose, desde sair do próprio corpo até alucinações.

Segundo, porque existe a possibilidade de ocorrer exatamente o contrário — eu ficar sentada com meus olhos fechados por 20 minutos e não conseguir reagir a nenhuma sugestão Hipnótica.

Apenas cerca de 10% a 15% da população são classificados como “altamente Hipnotizáveis”, ou seja, reagem à maior parte das sugestões. Conhecidos na comunidade Hipnótica como “altos”, esse grupo passa por experiências fortes e às vezes profundas durante a Hipnose.

Mas a maior parte da população tem uma reação mais silenciosa. Esses indivíduos medianamente Hipnotizáveis poderão reagir a algumas sugestões Hipnóticas, mas fracassar nos testes mais desafiadores.

E os cerca de 10 a 15% restantes são conhecidos como “baixos”. Os baixos podem reagir a uma ou duas sugestões fáceis ou até não reagir a nenhuma delas.

Seja você alto ou baixo, as pesquisas indicam que o seu nível de capacidade de Hipnose não se altera ao longo da vida. Em 1989, um estudo da Universidade de Stanford examinou 50 estudantes calouros de psicologia para determinar sua capacidade de Hipnose e os examinou novamente 25 anos depois.

Os antigos colegas apresentaram avaliações surpreendentemente estáveis após todos esses anos – ainda mais estáveis que outras características individuais, como a inteligência.

O que está por trás dessa característica é uma área de pesquisa recente. Existem indicações de que os níveis de dopamina – um neurotransmissor (mensageiro químico) — no cérebro estão relacionados com a capacidade de Hipnose.

Estudos preliminares indicaram um gene chamado COMT, envolvido no metabolismo da dopamina, mas as conclusões foram contraditórias e ainda não surgiu um quadro genético mais claro.

Outro neurotransmissor, o ácido gama-aminobutírico (GABA), também foi relacionado à capacidade de Hipnose. Em um estudo na Universidade de Stanford, Spiegel, Danielle DeSouza e seus colegas concluíram que as pessoas altamente Hipnotizáveis apresentavam níveis mais altos do neurotransmissor GABA em uma parte do cérebro considerada intimamente envolvida com a Hipnose.

Essa região do cérebro (o córtex cingulado anterior) está relacionada, entre outras coisas, com o controle cognitivo e a vontade. GABA apresenta efeito inibidor sobre as células cerebrais, o que levou DeSouza e Spiegel a sugerir que maiores reservas de GABA nessa região do cérebro poderiam ajudar os “altos” a entrar em estado Hipnótico com mais facilidade.

Existem também alguns indicadores de características de personalidade relacionados com a capacidade de Hipnose, mas não ao nível das cinco características principais. Altos e baixos podem ser extrovertidos ou introvertidos; agradáveis ou desagradáveis; neuróticos ou emocionalmente estáveis; abertos ou fechados a novas experiências; e meticulosos ou altamente desorganizados.

Algumas características mais sutis são encontradas com mais frequência nos “altos”, como se empenhar de forma mais criativa, reagir a indicações do ambiente ou se predispor à autotranscendência, segundo Terhune.

Curiosamente, os pesquisadores da Hipnose com quem conversei descreveram algumas características frequentemente observadas em pessoas com alta capacidade de Hipnose. São aquelas que ficam tão absortas em um livro que perdem de vista o que está acontecendo ao seu redor, ou que gritam alto quando se assustam ao ver um filme.

No caminho para o consultório de Terhune, recordo aquela vez em que cheguei atrasada para um novo emprego depois de atravessar Londres de metrô na direção errada enquanto lia o livro O Poder, da escritora britânica Naomi Alderman. E lembro que evito tudo o que possa ser remotamente assustador no cinema, desde que soltei um grito horripilante durante aquele filme terrivelmente assustador chamado Harry Potter e a Câmara Secreta.

Fiquei imaginando se conseguiria ser Hipnotizada, afinal.

Reação involuntária

Empoleirada sobre o sofá cinza no consultório de Terhune encontra-se uma grande almofada, posicionada como se estivesse pronta para apoiar a cabeça de alguém que subitamente se sentisse com sono.

Ela e uma caixa preta proeminente, algo como uma grande caixa de sapatos, são os únicos objetos que diferenciam a sala de inúmeros escritórios de acadêmicos do campus da Universidade Goldsmiths no sul de Londres. Ali, Terhune pesquisa muitos aspectos da consciência, que vão da Hipnose até a metacognição, e estes são os seus acessórios experimentais.

Depois de dar meu consentimento para que sejam conduzidos testes básicos para determinar minha capacidade de Hipnose, Terhune rabisca um pequeno ponto em um quadro branco no lado oposto ao sofá, que ele chama de “alvo”, e me convida a me concentrar nele. Eu obedeço e ele começar a ler um roteiro, em voz lenta e constante:

“Vou ajudar você a relaxar e, enquanto isso, vou fornecer algumas instruções para ajudar você a entrar gradualmente em um estado de Hipnose. Continue a concentrar-se cuidadosamente no alvo. Por favor, olhe para o alvo. E, enquanto estiver olhando, continue ouvindo atentamente minhas palavras. Você pode ficar Hipnotizada se estiver disposta a fazer o que estou pedindo e, se você se concentrar no alvo e no que eu disser…”

Em dois minutos, meus olhos estão fechados e eu me sinto relaxada. Incomumente relaxada.

Observo primeiro no meu rosto que meu sorriso social habitual desaparece. Depois sinto a tensão nos meus ombros diminuir e eles aos poucos vão caindo, se distanciando de minhas orelhas. Eu me inclino para trás, sobre a almofada atrás da minha cabeça.

Estou relaxada, mas ainda consciente do que está se passando e minha mente não se apagou completamente. Pensamentos ocasionais vêm e vão na minha cabeça: “Então, estou realmente Hipnotizada agora? Eu conseguiria sair desse estado se quisesse? Consigo ouvir meu coração batendo, estou ansiosa demais para que isso funcione? Isso irá parecer muito estranho? Serei capaz de controlar?”).

Eu tento não perseguir os pensamentos em círculos. Terhune me relembra de concentrar-me apenas na sua voz e as interrupções mentais diminuem.

“Para começar, eu gostaria que você mantivesse seu braço na altura do seu ombro”, diz Terhune.

Em vez de se mover sozinho, meu braço permanece relaxado ao meu lado. Imediatamente sinto uma ponta de decepção (“puxa, não sou totalmente Hipnotizável?”).

Terhune faz uma pausa e continua em seguida, com voz calma e paciente: “esta ainda não é uma sugestão, não se preocupe, você pode apenas manter seu braço reto à sua frente, como faria normalmente” (“Ah, ok, então posso fazer de propósito.”) Ergo voluntariamente o braço. “Isso mesmo”, diz ele.

Agora vem a sugestão real.

“Eu quero que você preste muita atenção à sua mão — qual a sensação, como ela está. Observe se a sua mão está um pouco dormente ou formigando. O leve esforço necessário para evitar dobrar o seu pulso. Preste muita atenção à sua mão. Eu quero que você imagine que está segurando algo muito pesado na sua mão, como um livro pesado. Algo muito, muito pesado. Segure o livro na sua mão. Agora, sua mão e seu braço se sentem muito pesados com a pressão do peso do livro.”

Do nada, lá está o livro na minha mão. Com os olhos ainda fechados, fico maravilhada com o peso. Parece que existe realmente um volume substancial na minha mão esticada — a única forma de saber que não é um livro real é que não consigo sentir a capa do livro na palma da minha mão.

“À medida que o peso aumenta cada vez mais, o seu braço move-se cada vez mais para baixo, ficando mais pesado, mais pesado, mais pesado, sua mão cai, cai, até não poder mais…”

E assim foi. Terhune quase não teve tempo de terminar a sugestão antes que a minha mão atingisse o sofá.

Ouço o rabiscar do lápis sobre o papel vindo da direção da sua mesa. Ainda me sinto calma e relaxada, mas, em algum lugar da minha cabeça, uma voz está dizendo baixinho: “uau!”.

Depois veio outro teste. Terhune me diz para manter meu braço esticado para frente. “Desta vez, o que quero que você faça é pensar no seu braço ficando incrivelmente firme e rígido”, ele diz.

É como se o meu cotovelo fosse feito de madeira seca e lascada. A sensação não é tão forte quanto a do livro pesado, mas certamente existe ali uma resistência quando tento dobrar o cotovelo.

Depois de um momento, consigo transpor a sensação, que diminui. Mas é preciso esforço.

Depois, mais dois testes. Terhune sugere que eu adormeça e tenha um sonho sobre Hipnose. Eu me sinto com sono e estou consciente das imagens flutuantes. Por um momento, um cão terrier escocês branco aparece brincando em um gramado — mas não é de fato um sonho, é mais parecido com aqueles momentos pouco antes de dormir, quando a mente começa a vaguear. E não tenho ideia de que relação possa haver entre os cães e a Hipnose.

Terhune me diz em seguida que está tocando a música Jingle Bells, primeiro com volume muito baixo e que irá gradualmente aumentar o volume. Eu não ouço nada, exceto o ruído das árvores ao vento pela janela.

Terminamos com mais dois testes. Primeiro, eu estendo minhas mãos como se segurasse uma bola de futebol. Terhune sugere que minhas mãos estão sendo afastadas por uma força irresistível. A sensação é um pouco similar ao experimento da bola invisível, mas mais forte.

Desta vez, fico curiosa para ver o que acontece se eu forçar um pouco. Tento reunir as palmas das mãos, mas é difícil resistir à sugestão. Em poucos segundos, meus braços estão estendidos ao máximo possível.

No último teste, Terhune sugere que meu braço esquerdo fique extremamente pesado e preciso tentar erguer minha mão esquerda do meu colo. A dificuldade é quase tão grande quanto ao tentar dobrar meu cotovelo — requer bastante esforço, mas consigo erguer minha mão alguns centímetros.

Ao final dos meus testes, Terhune conta lentamente de 20 até zero para me fazer sair da Hipnose. Ao chegar em cinco, abro meus olhos. Sinto-me um pouco atordoada, como se tivesse dormido demais e acordado muito rapidamente.

EMMANUEL LAFONT/BBC

A capacidade de Hipnose é uma característica individual, como a inteligência, que varia de uma pessoa para outra

O resultado

Terhune conta que, segundo os testes, ele estima que estou mais ou menos na média da faixa normal de capacidade de Hipnose.

Os testes aos quais eu reagi intensamente (o grande peso na minha mão estendida e a força afastando minhas mãos) são aqueles que funcionam para a maioria das pessoas. No teste do grande peso, cerca de 90% da população sente alguma coisa, segundo Terhune — até ele, que é “baixo”.

Reagir aos testes contra os quais eu lutei (o braço rígido e o braço pesado) é um pouco mais raro. E os outros dois testes são muito difíceis — poucas pessoas respondem à sugestão de ter um sonho nítido sob comando e ainda menos pessoas ouvirão Jingle Bells tocando em uma sala em silêncio. Terhune incluiu esses testes considerando a possibilidade de que eu pudesse ser “alta”.

Havia dois outros testes que ele não tentou fazer. Um deles é a agnosia, que é a sugestão de esquecer o nome de um objeto simples, como uma tesoura, e para que ele serve.

Terhune me mostra o que teria feito nesse teste. Ele depositaria uma tesoura, junto com um pedaço de fita, uma caneta e uma régua sobre a caixa preta que eu havia observado antes. Ele teria me pedido para apontar para a tesoura, o que uma pessoa muito altamente Hipnotizável não seria capaz de fazer. Se você então entregasse a essa pessoa um pedaço de papel e pedisse que ela usasse a tesoura, ela ficaria perplexa.

Outro teste é a amnésia Hipnótica, quando se diz a alguém que esqueça tudo o que aconteceu durante a Hipnose. Mas a reação a esses testes é rara — tipicamente, cerca de 12% das pessoas reagem, segundo Terhune.

Se você nunca foi Hipnotizado antes, sua experiência estatisticamente deverá ser mais ou menos similar à minha.

No trem para casa após a Hipnose, ainda com alguma sensação de calma residual, fico remoendo o que havia acabado de acontecer. Por mais real que parecesse para mim, existe algum ceticismo saudável sobre a credibilidade dos relatos subjetivos como evidências científicas. Minha Hipnose não se pareceu com nada que eu já houvesse experimentado — tanto que fiquei sedenta por um relato mais objetivo da minha experiência.

O cérebro Hipnotizado

O famoso teste Stroop fornece algumas evidências úteis. Ele mede a dificuldade encontrada pelas pessoas para identificar a cor usada para escrever uma palavra, quando essa palavra for o nome de outra cor.

Imagine, por exemplo, a palavra “vermelho” escrita com tinta azul. As pessoas levam mais tempo para dizer que a tinta é azul que quando a tinta é da cor vermelha correspondente.

Quando participantes Hipnotizados foram instruídos a não conseguir mais ler, as letras assumiram formas sem significado. Por isso, eles identificaram com mais rapidez a cor das palavras não coincidentes, já que não se distraíam mais com as palavras escritas na página.

EMMANUEL LAFONT/BBC

No teste Stroop, os nomes das cores são escritos em tinta de cor diferente - e pode ser um teste revelador sob Hipnose

Também parece haver diferenças na atividade cerebral quando se solicita a alguém que “finja”, em comparação com a experiência de reação involuntária.

Em um pequeno experimento, pesquisadores estudaram 12 participantes saudáveis em um scanner de tomografia por emissão de pósitrons (PET, na sigla em inglês), para medir a atividade metabólica em algumas partes do cérebro.

Em um conjunto de testes, eles receberam a instrução de fingir que são incapazes de movimentar suas pernas. Em outro conjunto de testes, as mesmas pessoas foram Hipnotizadas e receberam a sugestão de que sua perna estaria paralisada. Os estudos das imagens cerebrais mostraram que cada uma das duas condições ativou diferentes regiões do cérebro.

Um estudo posterior expandiu a mesma questão do Hipnotismo x fingimento, desta vez usando um scanner de imagens por ressonância magnética (RM), que fornece mais detalhes ao observar tecidos moles.

Desta vez, os pesquisadores observaram que o córtex motor — a parte do cérebro que controla os movimentos do corpo — exibiu atividade nos pacientes sob Hipnose. Isso indica que as pessoas Hipnotizadas realmente estavam se preparando para tentar mover o seu membro, apesar de não conseguirem mais movimento que o grupo que estava fingindo ter paralisia.

Existe então alguma característica do cérebro Hipnotizado que possa explicar a sensação e as experiências peculiares da reação Hipnótica? Esta é uma área de pesquisa recente, mas há duas possibilidades.

Parte da história pode ser encontrada na rede de saliência do cérebro, segundo Spiegel. Essa rede nos ajuda a identificar quais aspectos do nosso ambiente merecem ser observados, selecionando informações relevantes entre os conjuntos de dados sensoriais que inundam o nosso cérebro a todo segundo do dia.

Em um experimento, Spiegel e seus colegas Hipnotizaram pessoas “altas” e “baixas”, ao mesmo tempo em que analisavam seus cérebros. Os altos apresentaram menor atividade na rede de saliência durante a Hipnose.

“Quando isso acontece, você está menos preocupada com o que mais pode estar acontecendo”, explica Spiegel. “Isso permite que você se desconecte do resto do mundo.”

Isso poderá explicar, em parte, a sensação de intensa concentração durante a Hipnose. Mas, e quanto à estranha sensação de que o seu corpo está fazendo coisas sozinho? Bem, as melhores evidências apontam para a rede de modo padrão cerebral, segundo Terhune — um conjunto de regiões cerebrais que são mais ativas quando estamos em repouso.

“Acredita-se que ela esteja integralmente envolvida na atividade mental autorrelacionada — sonhar durante o dia, devaneios da mente e assim por diante”, afirma ele.

Acredita-se ainda que uma parte específica dessa rede — o córtex pré-frontal medial anterior – desempenhe papel fundamental na Hipnose.

“Essa região parece estar envolvida no processamento autorrelacionado, na metacognição [pensar em pensar] e na capacidade de controlar seus próprios pensamentos”, explica Terhune. “Trata-se de processos que podem ser atenuados em reação à indução Hipnótica.”

Com a atividade temporariamente inibida na rede de modo padrão, pode ficar mais difícil pensar em você como um agente consciente. Esta pode ser a causa da notável sensação de que você não tem total autonomia sobre o seu próprio corpo.

A importância dessa parte da rede de modo padrão na Hipnose foi descoberta em vários estudos, mas Terhune acrescenta uma ressalva: “às vezes, não sabemos qual é o ingrediente causador.”

O córtex pré-frontal medial, por exemplo, também está envolvido na elaboração de deduções sobre o estado mental das outras pessoas. Pode ocorrer que, quando você está sendo Hipnotizado, também esteja por acaso pensando no Hipnotizador e no que ele está pensando.

“Mas esta é a melhor linha de evidência”, conclui Terhune. “É a redução do processamento autorrelacionado e da metacognição.”

Do laboratório para a clínica

Enquanto os pesquisadores acadêmicos analisam em detalhes os motivos pelos quais a Hipnose funciona, os médicos estão fazendo uso dos seus efeitos há séculos.

O uso médico mais bem explorado da Hipnose talvez seja a tentadora promessa de aliviar as dores sem remédios. Diversas meta-análises (pesquisas que analisam as descobertas de um conjunto abrangente de estudos, determinando a qualidade e o projeto de cada um deles) encontraram resultados consistentes a este respeito.

Uma recente meta-análise de 45 testes de Hipnose para alívio de dores concluiu que os participantes de estudos que são Hipnotizados experimentam mais alívio das dores que cerca de 73% dos participantes controle. E duas meta-análises do início dos anos 2000 concluíram que a Hipnose era superior à assistência padrão e incentivaram seu uso mais amplo em ambientes clínicos.

Como era de se esperar, esses efeitos não são iguais para todos. Quanto mais Hipnotizável for uma pessoa, maior será a redução das suas dores, segundo uma análise de 85 estudos experimentais controlados pelos autores, com a participação de Terhune.

Algumas das descobertas mais fascinantes foram realizadas no campo das dores crônicas, definidas como dores que duram por mais de três meses.

No Reino Unido, 13% a 50% das pessoas sofrem de dores crônicas, enquanto, nos Estados Unidos, essa parcela é de cerca de um terço da população. Em todo o mundo, cerca de dois bilhões de pessoas sofrem dores de cabeça recorrentes causadas por tensão, que representam o tipo mais comum de dor crônica.

Por sua natureza, o tratamento das dores crônicas com remédios é particularmente difícil. Os analgésicos opioides causam dependência, trazendo uma série de efeitos colaterais e contribuindo para a epidemia de opioides.

Uma meta-análise de nove estudos aleatorizados demonstrou que a Hipnose reduz a intensidade das dores e sua interferência na vida diária — e os pacientes que receberam oito ou mais sessões experimentaram alívio significativo das dores.

Em 2000, Spiegel conduziu um estudo aleatorizado de analgesia Hipnótica em 241 pacientes que passaram por procedimentos cirúrgicos invasivos realizados sem anestesia geral. Os pacientes foram divididos em três grupos: um deles recebeu assistência padrão, outro tinha uma enfermeira simpática fornecendo apoio adicional e outro foi Hipnotizado.

Todos os três grupos tinham acesso a um botão com o qual poderiam tomar um coquetel de fentanil (um poderoso analgésico opioide) e midazolam (um remédio que causa sonolência e perda de memória).

A cada 15 minutos, antes, durante e depois dos procedimentos, solicitou-se aos pacientes que avaliassem suas dores e seu nível de ansiedade de zero (calmos e sem dores) a 10 (medo profundo, ansiedade e dor).

O grupo com assistência padrão usou mais que o dobro da quantidade de fentanil e midazolam que o grupo com a enfermeira simpática ou o grupo Hipnotizado. E o período de tempo necessário para realizar a operação também foi mais longo no grupo com assistência padrão (78 minutos, em média) e mais curto entre o grupo Hipnotizado (61 minutos).

“O nível de ansiedade foi zero no grupo sob Hipnose”, afirma Spiegel. “Simplesmente houve menos problemas para realizar o procedimento.”

Mas, para sua frustração, não houve aumento considerável do uso de Hipnose clínica depois do estudo. Spiegel agora desenvolveu um aplicativo de Auto-Hipnose chamado Reveri. Ele espera que o aplicativo torne a Hipnoterapia com base em evidências mais facilmente disponível a quem desejar ter acesso a ela.

Considerando a eficácia do tratamento Hipnótico para uma variedade cada vez maior de condições, por que a disseminação dessa prática tem sido tão lenta?

A questão da coerção

A maior parte das reservas não se deve à falta de evidências, mas a um misto de preocupações e conceitos errôneos sobre a natureza involuntária da reação hipnótica.

“Este é um dos mitos mais difundidos”, segundo Terhune. “Que, se você vier a uma sessão de Hipnose comigo, eu posso controlar você, fazer com que você faça coisas inadequadas. Mas as evidências a esse respeito são muito pequenas.”

Amanda Barnier, professora de ciências cognitivas da Universidade Macquarie, na Austrália, explorou essa questão em um estudo com o uso inteligente de cartões-postais.

Ela dividiu os participantes do estudo em dois grupos: um grupo de pessoas altamente Hipnotizáveis recebeu uma grande pilha de cartões-postais e, depois de indução Hipnótica, foi dada a elas a sugestão de enviar um cartão-postal para Barnier todos os dias, até que ela telefonasse.

No dia seguinte, os cartões-postais começaram a chegar — e continuaram chegando.

Quando, em dado momento, Barnier ligou novamente para os participantes do estudo, as reflexões foram fascinantes. “As pessoas que haviam sido Hipnotizadas disseram ‘oh, meu Deus, estava fora do meu controle. A chuva caía lá fora e, mesmo assim, eu saía e mandava aquele cartão-postal para você, eu não conseguia me controlar. Era uma compulsão'”, relembra ela.

Mas o experimento não terminou ali. Barnier também usou um grupo controle de pessoas que não haviam sido Hipnotizadas, a quem ela simplesmente solicitou que enviassem um cartão-postal todos os dias. “Eu disse: ‘sou estudante de PhD e estou tentando escrever a minha tese. Aqui estão alguns cartões-postais, vocês me enviariam um todos os dias?”

De forma talvez surpreendente, esse grupo também se sentiu obrigado. Quando Barnier telefonou para eles, para falar sobre a sua experiência, eles foram mais pragmáticos. “Eles disseram ‘bem, você parecia desesperada’.”

Com isso, Barnier concluiu que os participantes Hipnotizados não estavam sendo obrigados a fazer nada que não teriam feito de outra forma, mesmo sentindo o contrário.

Experimentos anteriores, conduzidos em tempos de regulamentações éticas mais permissivas, concluíram que pedidos mais extremos geraram reações similares.

Em 1939, um experimento alarmante forneceu a participantes profundamente Hipnotizados a sugestão de agarrar uma enorme cascavel. Foi dito aos participantes que a cobra era apenas um rolo de corda.

Um participante dispôs-se a agarrá-la, mas foi impedido por uma vidraça. Outro saiu da Hipnose e recusou-se a fazê-lo. Dois outros participantes Hipnotizados não receberam a informação de que a cobra seria um rolo de corda e ambos tentaram agarrá-la mesmo assim.

E dois dos participantes receberam então a sugestão de que ficaram com raiva de um assistente do experimento por colocá-los naquela situação perigosa. Foi dito a eles que não conseguiriam resistir à tentação de atirar um frasco de ácido concentrado no rosto do assistente — e os dois o fizeram, mas, em um gesto rápido, o frasco de ácido real havia sido substituído por um líquido inofensivo com a mesma cor.

Também se solicitou a um grupo controle de pessoas não Hipnotizadas que participasse, mas a maioria não foi muito longe, pois eles ficaram apavorados com a cobra e não chegaram perto dela. Essas conclusões foram replicadas em outro estudo de 1952, mas pesquisas posteriores criticaram o fato de que os participantes controles não receberam a mesma pressão do grupo Hipnotizado, tornando a comparação injusta.

Um experimento realizado em 1973 buscou abordar a questão de forma mais robusta, colocando os participantes Hipnotizados e não Hipnotizados em pé de igualdade. Um grupo de estudantes universitários foi Hipnotizado e recebeu a sugestão de sair pelo campus para vender algo que, segundo lhes foi informado, seria a droga heroína. O outro grupo simplesmente recebeu a solicitação — e os dois grupos saíram e obedeceram.

Mas os responsáveis pelo experimento tiveram problemas, pois o pai de uma das participantes era um professor do campus. Ele não ficou nada satisfeito ao descobrir que sua filha estava tentando vender heroína para os colegas.

“A conclusão é que os estudantes de graduação estão dispostos a cometer atos malucos”, afirma Terhune. “Não tem nada a ver com Hipnose.”

Como ocorreu com a descoberta de Barnier, muitos dos atos surpreendentes das pessoas Hipnotizadas não se devem à Hipnose, mas simplesmente ao fato de que as pessoas farão todo tipo de coisas bizarras que você pedir.

O que esses experimentos não respondem definitivamente é se alguém pode ser genuinamente obrigado a fazer algo contra a vontade sob Hipnose. Mas, fora do mundo acadêmico, existem muitos casos em que a Hipnose foi usada com más intenções.

Entrevista revista AMPLA do Sistema UNIMED-PR

Entrevista revista AMPLA - Sistema UNIMED-PR

Uso e abuso

É noite e há trânsito em uma rua movimentada no norte de Londres, em frente a uma loja de esquina.

Dentro da loja, o vendedor está movendo alguns produtos de lugar, quando entra um jovem com aparência confiante, vestindo uma camiseta cinza, jaqueta escura e jeans. Ele se aproxima do vendedor e o toca no braço.

Segundo a imagem embaçada do circuito fechado de TV, ocorrem em seguida algumas coisas estranhas. O vendedor fica paralisado no local, aparentemente em transe. O homem toca no peito e no ombro do vendedor e, em seguida, revista seus bolsos. O vendedor fica imóvel, aparentemente sem notar. Somente quando o ladrão sai da loja, o vendedor parece perceber que foi assaltado.

“Como cientista, esses casos são de difícil interpretação porque não conhecemos todas as circunstâncias”, afirma Terhune. “Você poderia usar a distração para cometer um crime? Certamente que sim. Você poderia colocar alguém em transe e assaltar ou agredir essa pessoa? É muito difícil dizer e muito complicado.”

Esse assalto no norte de Londres é apenas um dentre uma longa e, em certos casos, angustiante lista de crimes, muitas vezes envolvendo abusos sexuais de pacientes mulheres por Hipnotizadores desonestos, que frequentemente exploram o desequilíbrio de poder entre o abusador e a vítima.

“É claro que são casos horríveis e repugnantes”, afirma Terhune. “Esses casos são difíceis porque já estão ocorrendo em uma dinâmica de poder incomum com um especialista ou profissional em quem alguém provavelmente confia. Por mais terríveis que sejam esses eventos, eles ocorrem em muitas situações com relações de poder diferenciais, [como] treinadores, professores ou profissionais médicos.”

Além da dinâmica de poder, existem outros fatores difíceis de identificar, segundo explica Barnier, como as percepções ou os estereótipos da Hipnose que as pessoas podem ter (como “na Hipnose, eu perco o controle”). Devido a esse conjunto de fatores, “não fica claro se o agente de vulnerabilidade é a própria Hipnose ou o contexto mais amplo”, segundo ela.

Tudo isso traz a seguinte questão: como alguém que procura a Hipnose pode tomar precauções para ter certeza de que o seu tratamento será o mais seguro possível? Barnier afirma que a regra de ouro é uma só: “se alguém não conseguir tratar você sem Hipnose, essa pessoa não deverá tratar você com Hipnose”.

Todos os médicos e pesquisadores que consultei para esta reportagem, incluindo Hilary Walker, executiva-chefe da Sociedade Britânica de Hipnose Clínica e Acadêmica, e Joe Tramontana, presidente eleito da Sociedade Norte-Americana de Hipnose Clínica, concordam com essa abordagem.

O Colégio Real de Psiquiatras do Reino Unido também recomenda sempre verificar as qualificações do terapeuta. A entidade afirma no seu website que “a Hipnoterapia somente deverá ser realizada por profissionais de saúde qualificados, submetidos a uma organização profissional. Eles deverão ser, por exemplo, médicos, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais ou fisioterapeutas.”

Uma razão da importância desse ponto é que, em muitos países (incluindo o Reino Unido e a Austrália), não há uma organização oficial que regulamente o Hipnotismo leigo.

“Na Austrália, você encontra pessoas que fazem cursos de fim de semana ou de seis meses em uma escola de Hipnose”, afirma Barnier. E se algo correr errado durante o tratamento? “Não existe uma agência profissional para a qual você possa ir e reclamar.”

Em alguns países, os praticantes da Hipnoterapia podem preferir associar-se a uma organização que registre os Hipnoterapeutas leigos. No Reino Unido, por exemplo, existe o Conselho Geral de Padrões de Hipnoterapia (GHSC, na sigla em inglês). Mas o conselho informa que nenhuma dessas organizações pode reivindicar o título de órgão regulador oficial, pois “Hipnoterapeuta” não é um título protegido da mesma forma que “médico” e “fisioterapeuta”.

O GHSC pede, por exemplo, que os Hipnoterapeutas que solicitam inscrição no seu registro obedeçam um código de ética. O conselho também mantém um procedimento de reclamação aberto aos pacientes dos seus membros registrados.

“Mas, como a Hipnoterapia não está sujeita à regulamentação estatutária, nem nós, nem nenhuma outra organização [que registre Hipnotizadores leigos], podemos evitar que um praticante que tenha sido excluído do registro continue a praticar de forma independente”, segundo um porta-voz do conselho.

A mensagem final dos médicos e das organizações profissionais com quem conversei permanece sendo a de assegurar-se de que qualquer pessoa a quem você busque tratamento tenha as qualificações de saúde apropriadas. E, ao sofrer de um problema de saúde, você deve consultar seu médico ou posto de saúde.

EMMANUEL LAFONT/BBC

A Hipnose pode parecer estranha e esotérica, mas, de muitas formas, temos experiências similares à Hipnose todos os dias

'Maluquice' ou parte do dia a dia?

Apesar da sua longa tradição de “maluquice”, como diz Barnier, a Hipnose não está tão longe assim de muitas experiências da nossa vida diária.

Para muitas pessoas, é comum perder-se em um bom livro, ou pode ser irresistível ficar absorto em um filme (quem sabe, até um filme de Harry Potter). Ou talvez você possa ficar desatento com as marcas da rodovia enquanto dirige.

Barnier afirma que, se isso já aconteceu, você experimentou algo que não é muito diferente da Hipnose. Existem até paralelos entre ficar absorvido pelo seu smartphone e a Hipnose. Ambos distorcem a percepção do tempo, reduzem a consciência do seu ambiente externo e causam redução do sentido de controle (aquela sensação de que você simplesmente não consegue parar de rolar a tela).

Mas, se você não experimenta com frequência esse tipo de absorção profunda, isso também é normal. “É como a diferença entre uma pessoa extrovertida e outra introvertida”, explica Barnier. “Elas estão apenas vivendo suas vidas no mundo de formas diferentes.”

Da mesma forma que a Hipnose não é tão diferente do nosso dia a dia, ela tem muito em comum com outras ferramentas de intervenção médica. Imagine uma agulha e uma seringa ou um bisturi. Nas mãos erradas, todos têm o potencial de fazer grandes estragos. Mas, em mãos habilidosas, podem ser instrumentos poderosos para fazer o bem.

Importante:

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Estudos mostram que técnica de Hipnose é eficaz

Hipnose - Estudos mostram técnica eficaz - Revista Superinteressante

Separei alguns pontos que particularmente achei relevante destacar. Ainda assim recomendo a leitura da reportagem completa publicada na íntegra na sequência desta página e com o link para a matéria na fonte.

Reportagem reúne informações sobre diferentes estudos e pesquisas ligados a universidades, hospitais e hipnotistas sobre a eficácia da Hipnose para a saúde, o desempenho pessoal e o bem-estar

Fonte Superinteressante
Publicação Abril/2022

PUO – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo obteve em pesquisa com pacientes de câncer de próstata um resultado de 100% na melhora da saúde, retomada do humor, aumento nas estratégias de enfrentamento a situações estressantes ligadas ao tratamento e melhor certeza na cura.

Estudo no Hospital de Lausanne, na Suíça, apontou que vítimas de queimaduras severas ficam em média cinco dias a menos na UTI, tem melhor equilíbrio emocional e utiliza menos sedativos.

A Hipnose na concepção resultou em partos mais rápidos com significativa redução de casos de depressão pós-parto, ansiedade, medo e estresse, segundo estudos de 2020 em universidade e hospitais franceses.

Estudo de 2015 revelou a curiosa ocorrências de erro de diagnóstico provocado pelo bem-estar das grávidas que praticavam auto-hipnose. Algumas dessas mulheres, prestes a parir, eram mandadas de volta para casa como se fosse pouco crível um processo de parto sem expressões de dor.

Pesquisa com aplicação de técnicas hipnóticas em Atores, apontou que 100% dos participantes apresentaram maior facilidade para expressar emoções autênticas no momento de entrar em cena.

Estudo da Universidade Baylor no Texas concluiu que a combinação de Hipnose com Mindfulness pode ser valiosa no tratamento da ansiedade e estresse.

Hospital de Bruxelas, Bélgica, tem substituído a anestesia geral por combinação de anestesia local e Hipnose.

Estudo britânico vê benefícios no tratamento para síndrome do intestino irritável

Hospital especializado em oncologia A.C. Camargo conta com hipnotistas atuando no controle de dores crônicas e no equilíbrio emocional dos pacientes.

Ao final da matéria o reporter participa de uma sessão de Hipnoterapia para ter sua própria impressão sobre o processo e relata com detalhes. Eu separei alguns trechos:
“E o tal do transe? Fui colaborando conscientemente com as sugestões… E agora, cada vez mais, não faltam indícios de que a Hipnose pode ser uma ótima aliada na luta contra as armadilhas da mente”.

  • REPORTAGEM | Leia a Reportagem completa transcrita abaixo.
    Para acessar o conteúdo direto da fonte clique no link no final da página.

Por Superinteressante – Abril 2022
Texto Alexandre Carvalho,
Ilustração Tiago Araujo,
Design Natalia Sayuri Lara

Hipnose: como ela pode ajudar na sua vida

Estudos recentes mostram que a técnica é eficaz para reduzir quadros de ansiedade, aumentar o foco, aliviar dores do parto e até mitigar problemas intestinais. Entenda a ciência por trás das terapias de Hipnose.

Eduardo Dulla / Superinteressante

Após uma síndrome do pânico, em dezembro de 2020, e uma série de crises de ansiedade, o ator Marcelo Serrado começou a se interessar por leituras associadas ao funcionamento da mente. Do PhD em psicologia Joseph in Murphy, leu o best-seller O Poder do Subconsciente, e foi atrás de informações que pudessem ajudá-lo não apenas na questão terapêutica. Ele queria também explorar técnicas capazes de aprimorar sua performance como ator. E aí teve um encontro bem-sucedido com a Hipnose.

Muito famoso por Crô, o mordomo da novela Fina Estampa (2011), que ainda viraria protagonista de dois filmes, o ator descobriu que sessões de hipnose podiam ajudá-lo na invenção de uma história pregressa para cada um de seus personagens. Ou seja: bolar um passado fictício anterior ao período em que a trama se desenvolve, uma técnica que confere mais profundidade às interpretações. “Ao ser hipnotizado, eu consigo criar esse passado com muitos detalhes, visualizo a vida toda do personagem, desde a infância’ , explica. “Isso torna essa história muito mais real na minha cabeça.”
Prestes a interpretar um dublê na próxima novela das sete da Globo, Cara e Coragem, Marcelo fez esse exercício de preparação com Tiago Garcia, hipnólogo pós-graduado em neurociência.

Membro da Sociedade para Hipnose Clínica e Experimental, dos EUA, Tiago realizou uma pesquisa com a hipótese de que a redução da atividade do córtex pré-frontal (responsável por nossa atenção e tomada de decisões) durante o estado hipnótico pode potencializar a dissociação da identidade de atrizes e atores – quando eles deixam de lado quem são na vida real para incorporar seus personagens. Nesse estudo, hipnotizou Deborah Secco e mais 15 atrizes de TV e teatro nenhuma delas havia sido hipnotizada antes.

Em cada sessão, o pesquisador conversou com as artistas em transe, fazendo perguntas sobre o cotidiano, o passado e até o futuro de personagens que elas interpretavam em algum trabalho na época. Treze das atrizes, já em estado hipnótico, comportaram-se como se estivessem numa metamorfose, assumindo que eram de fato suas personagens – uma dissociação completa da própria personalidade.

Atores como Marcelo Serrado aderiram à Hipnose para se aprofundar na história dos personagens.

Assim como na preparação de Marcelo Serrado, a maioria relatou um forte envolvimento emocional ao criar uma infância de ficção. E 100% delas constataram que a hipnose estimulou esse processo, dando-lhes maior facilidade para expressar emoções autênticas no momento de entrar em cena.

O fato é que realmente acontecem alterações no cérebro durante o estado hipnótico: por conta de uma superconcentração promovida pelo hipnotista, o neocórtex, região onde fica a nossa consciência, passa a ignorar os sinais enviados pela amígdala, nosso centro emocional – que nos faz reagir a estímulos externos. Sem nada de estímulo chegando à consciência, nosso senso crítico vai lá para baixo, e nos tornamos vulneráveis às sugestões hipnóticas.

Se a Hipnose de palco, na qual pessoas em transe são levadas a mastigar cebolas achando que são maçãs, trouxe bastante preconceito à técnica – colocando-a no mesmo patamar dos espetáculos de magia estudos recentes de algumas das mais prestigiadas universidades do mundo estão apresentando novidades que deixam, cada vez mais, essa rejeição para trás. E aproveitando o que a Hipnose pode oferecer de melhor.

Hoje, o que se busca é saber como a técnica pode ser usada para eliminar fobias (confira uma experiência real no final desta reportagem), auxiliar no tratamento da ansiedade, controlar a dor ou contribuir para o desempenho profissional, deixando as pessoas mais criativas, como no caso dos atores. Ou mais focadas, como no de esportistas, que usam Hipnose para entrar em flow: um estado tão imerso na atividade que tudo passa a ser feito como se fosse uma brincadeira – é o caso de Tiger Woods, fenômeno do golfe que aprendeu a auto-hipnose para focar em tacadas perfeitas. E ainda de executivos que precisam combater a procrastinação e manter-se focados durante uma apresentação para a diretoria.

Outra novidade é que esse foco pode ser otimizado por uma combinação que começou a ser estudada e praticada em 2020: a Hipnose aliada ao mindfulness.

Pesquisadores do Texas concluíram que a Hipnose permite atingir com mais rapidez e facilidade a atenção plena do mindfulness.

Tiago Araujo/Getty Images/Superinteressante

Foco Total

Mindfulness é uma técnica de meditação voltada para a atenção plena, já bastante aplicada para ajudar pessoas no gerenciamento do estresse e da ansiedade. Envolve desenvolver um foco no momento presente, tirando da cabeça por alguns momentos o remorso com o passado e a preocupação com o futuro. Daí seus benefícios contra a procrastinação (o foco em um trabalho que precisa ser feito agora) e a ansiedade (que se baseia em temores relacionados ao porvir).

Um estudo da Universidade Baylor, no Texas, descobriu um modo de potencializar os resultados do mindfulness: aliá-lo à hipnoterapia. Até porque, aparentemente, as duas técnicas parecem ter sido feitas uma para a outra. A Associação Americana de Psicologia define a Hipnose como um estado de atenção concentrada no qual você reduz sua consciência periférica. Ao deixar de prestar atenção ao que acontece no seu entorno, focando apenas nas palavras de um hipnotista, o indivíduo fica muito mais suscetível a responder às sugestões desse profissional.

Os pesquisadores concluíram que a Hipnose, se bem aplicada, permite atingir com maior rapidez e facilidade a atenção plena do mindfulness.

Para verificar a eficácia dessa combinação, os estudiosos convidaram 42 participantes em idade universitária, todos com relatos de altos níveis de estresse. Metade serviu como grupo de controle, não recebendo Hipnose nem treinamento de mindfulness. Ao longo de oito semanas, os pesquisadores avaliaram quão conscientes estavam os voluntários no momento da sessão, o quanto sua consciência podia ficar sem julgar pensamentos e sentimentos, a capacidade para a auto-hipnose, para a atenção plena e a eficiência em colocar esses aprendizados na prática.

O grupo também recebeu lição de casa: arquivos com áudios de auto-hipnose de 20 minutos elaborados, especificamente, para projetar a atenção plena diariamente. E precisavam registrar suas rotinas.

Deu bom. Os participantes relataram uma redução na angústia percebida e um aumento significativo no foco em suas atividades durante os momentos de auto-hipnose. Coautor do estudo, Gary Elkins apontou que aliar mindfulness e hipnoterapia tem “a vantagem de ser algo menos assustador [para quem tem preconceito contra a hipnose, mas vê a meditação com bons olhos], e pode ser uma opção valiosa para o tratamento da ansiedade e a redução do estrese”.

Mas funciona com qualquer um?

Todo mundo é sugestionável em algum grau, mas esse grau varia muito de pessoa para pessoa. “Há inclusive a influência de componentes genéticos e culturais”, explica Tiago Garcia, que ainda é autor do livro Hipnose e Neurociência. “Indianos e mexicanos, povos muito espiritualizados, tendem a ser mais hipnotizáveis. E irmãos gêmeos costumam ter o mesmo perfil de suscetibilidade à Hipnose.”

Tiago Araujo/Getty Images/Superinteressante

A Escala de Suscetibilidade Hipnótica da Universidade de Stanford mede quão "hipnotizável" você é. Porque varia.

Há formas de se avaliar o quanto alguém é capaz de responder à técnica. Uma das mais usadas é a Escala de Suscetibilidade Hipnótica de Stanford, desenvolvida em 1959 por dois pesquisadores dessa universidade da Califórnia.

O que acontece é o seguinte: os hipnotizados recebem sugestões que vão progredindo em complexidade. Relaxar os olhos a ponto de não conseguir abri-los é algo que funciona com a maioria dos participantes. Ter alucinações visuais ou auditivas já é para os mais sugestionáveis. A escala vai de 1 a 12, sendo que quem chega a 12 faz a alegria dos hipnotistas. São indivíduos suscetíveis, por exemplo, a não se lembrar de que participaram das sessões. Ou acreditar que estão voando.

Essas são reações que lembram a Hipnose de palco, mas responder facilmente às sugestões hipnóticas também ajuda na hora de tratar não só a ansiedade, mas também uma dor crônica ou aguda. Ou tudo isso junto, quando se trata de alguém no estado muito especial, e frequentemente dolorido, que antecede dar à luz um novo ser.

MITOS DA HIPNOSE

Um artigo de pesquisadores de Harvard e outros três universidades identificou enganos comuns.

01 | Provoca um estado idêntico ao sono

“Você está com sono, vai dormir profundamente Isso é diálogo de cinema. O hipnotizado não dorme durante a sessão. Embora seja comum ficar com os olhos fechados, ele precisa estar acordado para responder às sugestões hipnóticas.

02 | É preciso estar num lugar totalmente tranquilo

Ajuda, mas não é indispensável. Você pode ser hipnotizado numa praça de alimentação de shopping. Um estudo revelou que instruções para que o hipnotizado reduza seu pensamento crítico funcionam melhor que orientações para que ele relaxe.

03 | É impossível resistir a um hipnotista

É o contrário. Basicamente não se hipnotiza quem não quer ser hipnotizado. Uma pesquisa mostrou que, quando os participantes foram informados de que poderiam resistir, 95% não responderam bem à Hipnose.

Uma gravidez melhor

Professora de robótica em Santana do Parnaíba (SP), Isabela Silvestre de Freitas sempre foi cética em relação à Hipnose, diferentemente do marido, que se interessou pela técnica após participar do curso de um hipnólogo voltado para profissionais da área jurídica. Mas, há dois anos, numa gravidez cheia de incômodos físicos, Isabela foi convencida a contar com o apoio de um hipnoterapeuta.

Não era sua primeira experiência com gestação. A primeira havia sido aos 17 anos, e foi um voo de cruzeiro. Zero sofrimento. Na segunda, aos 24, foi tudo diferente. Logo nos primeiros meses, sentia bastante enjoo, ia ao banheiro vomitar mesmo sem nada no estômago e brigava com a sonolência o dia inteiro. Como ainda não dava para tirar licença do trabalho, a jovem professora cedeu à insistência do marido. E chegou às mãos do psicólogo e hipnólogo Ton Lucas.

A primeira consulta foi presencial. No universo da Hipnose, esse primeiro contato entre cliente e terapeuta é chamado de anamnese. E quando acontece uma espécie de entrevista para que as queixas ou necessidades sejam expressas. E é também quando o especialista avalia quão hipnotizável é a pessoa de que precisa tratar. Isabela podia ser reticente quanto à técnica, mas não pretendia oferecer resistência ao tratamento. Qualquer coisa que a ajudasse era lucro.

Com imaginação guiada para situações felizes, grávidas têm gestações com menos desconfortos e partos menos doloridos.

As demais sessões foram por videoconferência, por conta da distância. Ela mora em Osasco; o consultório fica em São José dos Campos. Mas deu certo mesmo assim. As sugestões hipnóticas de Ton, sempre incluindo relaxamento profundo (“eu me sentia afundando na poltrona”, lembra Isabela) e mentalização de sensações de bem-estar, foram reduzindo, a cada sessão, os sofrimentos digestivos da futura mãe.

E conseguiram eliminar o pior deles: ela não conseguia mais chegar perto do seu prato preferido, lasanha. “Era um tormento para mim e, numa das sessões, o Ton me hipnotizou e me fez primeiro imaginar comidas de que eu gostava, sentir o cheiro delas. recorda Isabela. “Até que passou para a lasanha em si: na Hipnose, vi a mais bonita e apetitosa do mundo. Ele me fez imaginar que estava comendo essa massa com muito prazer. Então, no dia seguinte, fui ao restaurante da minha sogra e fiz um prato grande só com lasanha. Estava ansiosa quanto ao que ia acontecer, mas não senti enjoo nem azia… nada. Só felicidade de voltar a comer bem.”

Com imaginação guiada para situações felizes, grávidas têm gestações com menos desconfortos e partos menos doloridos.

Tiago Araujo/Getty Images/Superinteressante

De cética quanto à Hipnose, Isabela passou a estágios que só os mais hipnotizáveis são capazes de experimentar. Já aos oito meses de gestação, o hipnoterapeuta fez com que ela “visse” a filha dentro da própria barriga. Claro que é tudo um exercício de imaginação, mas que traz efeitos concretos. “Na sessão, me transformei numa luzinha que entrava pelo meu pé e atravessava meu corpo até chegar ao útero. Foi uma experiência muito amorosa, que, naquela gravidez que não vinha sendo fácil, aumentou demais a minha conexão com a bebê e a minha tranquilidade com o parto que ia chegar.”

Sem anestesia

O benefício da Hipnose para a gravidez não se restringe à manutenção de um estado de bem-estar ao longo da gestação. Ela também pode ajudar no momento mais delicado desse processo: o parto. Meghan Markle, a Duquesa de Sussex, aderiu à técnica quando chegou o momento de ter seus filhos, fazendo Hipnose com respiração profunda e visualização de situações felizes.

Em 1989, a hipnoterapeuta Marie Mongan (1933-2019) desenvolveu um programa chamado HypnoBirthing, que postula que o medo e a ansiedade aumentam a experiência da dor na hora do parto; e que técnicas como imaginação guiada e respiração profunda podem mergulhar a mãe em um estado de grande relaxamento antes e durante o processo na maternidade. Com a Hipnose, seu corpo relaxa e o parto se torna menos doloroso.

Para este fim, as mulheres nas aulas de HypnoBirthing são ensinadas a pensar em aspectos desse momento inesquecível de forma diferente. As contrações se tornam “ondas uterinas’ , enquanto empurrar o bebê para fora se torna “a respiração do nascimento”. Ao reformular esses pensamentos em termos mais agradáveis e familiares do que os da medicina, reza a técnica, a gestante obtém redução de dor e ansiedade.

Mongan, uma professora de New Hampshire (EUA), dedicou anos de sua vida preparando esse método após uma experiência pessoal. Adepta do parto humanizado, no qual prevalecem as escolhas da mãe sobre a rotina hospitalar, em sua terceira gravidez, nos anos 1950, ela bateu o pé diante dos médicos, incrédulos, permanecendo irredutível na decisão de não querer ser anestesiada ao longo do seu parto. Ela achou a experiência sem anestesia “o nascimento mais bonito que eu poderia imaginar”.

Mas doía bastante, claro. Então ela foi pesquisar um modo que não trouxesse tanta dor. E chegou à criação do HypnoBirthing. A pesquisadora logo começou a receber solicitações de pais interessados em adotar o mesmo processo, e também de parteiras, doulas e, veja só, de hipnotistas. Fundou um instituto que deu popularidade à Hipnose para o parto e chamou atenção de mulheres do mundo inteiro, incluindo Meghan Markle e Kate Middleton.

Um levantamento feito em 2020 a partir de diversos estudos, que reuniu pesquisadores de universidades e hospitais franceses, investigou o impacto de diferentes intervenções hipnóticas na experiência da concepção. As pesquisas apontaram para partos mais rápidos e uma diminuição significativa nos casos de depressão pós-parto, ansiedade, medo e estresse em mulheres que passaram por terapias envolvendo Hipnose. As mães que aderiram à técnica também se mostraram menos propensas a recorrer a uma cesárea numa próxima gravidez.

Um estudo de 2015 chega a ser engraçado (se não fosse perigoso): revelou ocorrências de erro de diagnóstico provocado pelo bem-estar das grávidas que praticavam auto-hipnose na hora H. Algumas dessas mulheres, já bem perto do momento de parir, chegavam à maternidade num relaxamento tão profundo que eram mandadas de volta para casa – como se fosse pouco crível um processo de parto sem expressões de dor.

“Os principais achados dessa revisão são encorajadores para o uso da hipnose na melhora da experiência de parto”, apontam os pesquisadores franceses. “Especialmente no alívio da dor e do medo e no aprimoramento do bem-estar pós-parto, além de empoderar mulheres a se sentirem mais confiantes e no controle de suas emoções no momento de dar à luz.”

Pouco usada

E quando a dor não é pelo nascimento de um filho, mas por doença? Foi em 1955 que a Associação Médica Britânica endossou o uso da hipnose na Medicina, sendo seguida três anos depois pela Associação Médica Americana. Mesmo assim, ela é pouco utilizada. Talvez por falta de uma adequação melhor do ponto de vista da regulamentação.

Na lei brasileira, por exemplo, a hipnoterapia não é uma atividade reservada aos profissionais de saúde. Se eu, jornalista, quiser trabalhar como hipnólogo clínico, posso fazer um curso rápido, que já me dará o direito de me inscrever na Sociedade Brasileira de Hipnose e atuar na área.

Claro que isso leva à suspeita de que haja muita gente sem a menor capacitação real. E ajuda a explicar o pé atrás de muitos médicos com a técnica no combate a problemas de saúde nos quais ela já se comprovou benéfica.

Apesar da falta de legislação específica, os Conselhos Federais de Medicina, Odontologia, Fisioterapia e Enfermagem – além do de Psicologia – se manifestam favoravelmente a respeito da Hipnose em seus setores. Eles recomendam o uso científico da técnica como alternativa terapêutica e coadjuvante aos tratamentos convencionais.

Quem atua nessas áreas é orientado pelos próprios Códigos de Etica sobre a utilização para fins de tratamento e pesquisa. O Conselho Federal de Medicina, por exemplo, em seu parecer no 42/1999, esclarece que “a Hipnose é reconhecida como valiosa prática médica, subsidiária de diagnóstico ou de tratamento, devendo ser exercida por profissionais devidamente qualificados e sob rigorosos critérios éticos”. Em março de 2018, o Ministério da Saúde aprovou a inclusão da hipnoterapia no atendimento do SUS.

Não faltam motivos para a adoção da Hipnose na medicina de uma maneira mais ampla. Um estudo conduzido pelo Hospital de Lausanne, na Suíça, apontou que a Hipnose acelera a recuperação de vítimas de queimaduras severas. Essas pessoas ficam, em média, cinco dias a menos na UTI em comparação com pacientes não hipnotizados. Os pesquisadores iniciavam as sessões de Hipnose assim que os indivíduos não estavam mais entubados e já tinham condições de se concentrar.
Além da recuperação mais rápida, o grupo manifestou menos dor e ansiedade, e precisou de menos sedativos.

Desde 2003, o hospital Cliniques Universitaires St. Luc, de Bruxelas, na Bélgica, tem substituído muitas anestesias gerais – com seus riscos por uma combinação de anestesia local, com sua sedação muito mais leve, apoiada por Hipnose em uma série de casos nos quais o paciente precisa entrar no bisturi.

Foi o caso de Marianne Marquis. Enquanto os cirurgiões faziam um corte em seu pescoço, essa paciente se imaginava numa praia, com os pés roçando a areia fofa ou tendo a água do mar acariciando seu corpo. Aos 53 anos, ela estava se submetendo a uma cirurgia de remoção de tireoide – algo bem menos relaxante que uma tarde na praia. Mas a sugestão hipnótica permitiu que, acordada, ela suportasse as intervenções em seu corpo com serenidade.

O hipnotista começou a colocá-la em transe dez minutos antes da operação. Depois, ela declarou que até ouvia os médicos conversando durante o procedimento, mas lhe parecia que eles estavam bem distantes dela. O idílio praiano era mais real em sua mente do que a cirurgia pela qual ela estava passando.

Contra a dor de barriga

A Hipnose também consegue ajudar quem sofre com episódios frequentes de desconforto abdominal, prisão de ventre ou excesso de idas ao banheiro: um conjunto de sintomas conhecido por síndrome do intestino irritável.

A hipnoterapia se mostrou eficaz no tratamento da síndrome do intestino irritável.

Segundo um estudo britânico, a técnica se mostra benéfica atuando nas interações cérebro-intestino que sustentam esse distúrbio. Os voluntários passaram por 12 sessões semanais, de 45 a 60 minutos. Sob estado hipnótico, esses pacientes eram orientados a colocar as mãos no abdômen e sentir calor e conforto no local. Também recebiam sugestões para visualizar imagens que depois seriam relacionadas ao intestino, com a intenção de levar à normalização de seu funcionamento. Uma sugestão bastante usada para pacientes com intestino solto, por exemplo, era mentalizar o órgão como um rio de correnteza violenta, que aos poucos tinha suas águas fluindo mais lenta e suavemente.

A maioria dos voluntários tratados com Hipnose melhorou seus quadros intestinais, o que levou os pesquisadores à seguinte conclusão: “A hipnoterapia tem o potencial de ajudar aqueles pacientes cuja síndrome do intestino irritável é grave, e tem se mostrado particularmente eficaz como parte de um programa especializado de cuidados”.

Solidária até no câncer

Quem tem o apavorante diagnóstico de um tumor maligno também já conta com apoio da Hipnose. No hospital paulistano A.C. Camargo, especializado em oncologia, hipnotistas atuam seja no alívio de dores crônicas, seja para melhorar o estado de ânimo de pacientes, além de ensinar a auto-hipnose, que pode ser útil em casa.

Pacientes com câncer reagiram melhor ao estresse do tratamento e aumentaram sua certeza na cura.

Uma pesquisa da Pontifícia Universidade Católica (PUO, de São Paulo, buscou compreender o impacto emocional da Hipnose em pacientes com câncer de próstata. Em pauta, temas como a autopercepção de saúde, a crença no tratamento e a capacidade de prospectar o futuro ferramentas importantes para que o paciente não se entregue.

A hipnoterapia se mostrou eficaz no tratamento da síndrome do intestino irritável.

Tiago Araujo/Getty Images/Superinteressante

Os voluntários passaram por cinco sessões de hipnoterapia, num intervalo de cinco semanas. Resultado: 100% dos pacientes acompanhados relataram melhora na saúde, retomada do humor, aumento nas estratégias de enfrentamento a situações estressantes durante o tratamento e, melhor, certeza na cura.

Um levantamento da OMNI Brasil, primeira instituição de treinamento de hipnoterapia com certificado ISO 9001 no país, apontou que 119 mil brasileiros já utilizaram a Hipnose Clínica como método de tratamento, e que mulheres procuram mais a técnica do que os homens. Hoje elas representam 62% dos que recorrem à Hipnose para ajudar no tratamento de algum problema de saúde.

O que senti quando fui hipnotizado

Encarei 97 quilômetros entre meu apartamento, em São Paulo, até o consultório do psicólogo e hipnólogo Ton Lucas, em São José dos Campos (SP), com um objetivo: eu não queria pôr um ponto final neste texto sem saber, por experiência própria, qual a sensação ao ser hipnotizado.

Combinei com o Ton – que é também um divulgador da Hipnose, e mantém um podcast chamado Catarse para falar da técnica – que faríamos uma sessão com finalidade terapêutica, e do tipo capaz de funcionar num único encontro. Então logo me lembrei de algo que me causa sofrimento psicológico: tenho repulsa por ralo sujo – sim, ralo de pia de cozinha, de box de banheiro…

Este repórter passou por uma sessão de Hipnose com objetivo terapêutico: tratar uma fobia de ralos sujos. Deu certo!

E não é só um nojinho comum: sinto ânsias só de pensar num ralo sujo. Quando lavo louça, antes me demoro raspando com um garfo, no lixo, os restos de comida. Tudo para que nenhum grão vá parar no maldito buraco no centro da pia – o que me torna o lavador de louça mais lerdo do planeta.

Ton me explicou que, em uma única sessão, ele não me transformaria no melhor amigo de ralos. Mas que eu poderia, sim, perder algo do meu mal-estar.

O primeiro passo foi perguntar o grau de incômodo que eu sentia. E ele me mostrou fotos de ralos sujos no celular. Respondi que, numa escala de zero a dez, meu incômodo era algo em torno de… dez. Ok, aí começamos a sessão para valer.

Sentado numa poltrona confortável, ouvi as orientações de Ton para que eu relaxasse. Fechei os olhos e fui instruído a senti-los pesados, para então espalhar esse relaxamento pelo meu corpo todo. Me percebi, de fato, tão leve quanto nas vezes em que saio de uma sessão de massagem ou acupuntura.

Em seguida, ele pediu para que eu me visualizasse num lugar bonito e calmo, onde me sentisse totalmente seguro. Me imaginei deitado na grama de uma chácara onde passei alguns dias no ano passado: a grama muito verde, o céu azul, o som de uma cachoeira próxima. Ton me disse para que eu me concentrasse nas sensações de tranquilidade que esse lugar me trazia. E que, quando esse sentimento de paz estivesse bastante intenso, eu fechasse minha mão direita. “A partir de agora, essa mão, quando fechada, te levará diretamente para as sensações boas que esse lugar te traz.”

O próximo passo foi me imaginar chegando perto de um ralo sujo. O hipnólogo perguntou se, naquele estado de bem-estar que eu estava sentindo, o nível de incômodo havia diminuído. “Foi para sete” respondi. Aí ele me disse para fechar a mão direita e pensar de novo no ralo sujo. E agora? “Cinco.”

Mantendo minha mão fechada, a sensação de repulsa foi diminuindo. Ton também usou, nessa fase, uma técnica de dessensibilização: primeiro me disse para imaginar que um arroz no ralo da pia era, na verdade, feito de plástico. Em seguida, que havia um arroz mesmo lá, mas estava seco. Até que, finalmente, visse um ralo cheio de comida molhada. Disse-me, então, que colocasse essa visão do ralo sujo numa tela como as de TV e fosse descaracterizando essa imagem: tirasse as cores da comida, a nitidez do que eu via, e então fosse diminuindo a tela até não conseguir mais enxergá-la. “Pensa de novo na imagem de um ralo sujo, qual o grau de incômodo agora?”, perguntou o hipnólogo. “Zero”, respondi.

Satisfeito, ele me pediu para abrir os olhos e ver, na tela do seu celular, diversas imagens de ralos imundos. Eu não virei a cara, não senti ânsia… nada. Funcionou. E agora tenho conseguido olhar para os ralos do meu apartamento.

E o tal do transe? Em nenhum momento fiquei sem controle sobre os meus atos. Sabia onde estava, o que ia acontecendo, e fui colaborando conscientemente com as sugestões.

Ou seja: nada diferente de uma boa sessão de terapia. Terapia, todos sabemos que funciona. E agora, cada vez mais, não faltam indícios de que a Hipnose pode ser uma ótima aliada na luta contra as armadilhas da mente.

Reportagem na fonte:
https://super.abril.com.br/saude/hipnose-como-ela-pode-ajudar-na-sua-vida/

Cirurgia de câncer apenas com anestesia Hipnótica

Cirurgia para retirada de um câncer apenas com anestesia Hipnótica, sem anestesia geral.

Nos últimos anos, a eficácia da Hipnose em diminuir a sensibilidade à dor foi estudada por experimentos bem controlados e constatada a sua capacidade em reduzir significativamente a dor, reduz a necessidade de analgésicos ou sedação, as náuseas e vômitos, e o tempo de permanência nos hospitais.

A Hipnose associada a tratamentos de saúde convencionais apresenta melhores resultados globais e de maior estabilidade fisiológica. Cirurgiões e outros profissionais de saúde relataram níveis significativamente mais elevados de satisfação em seus pacientes tratados com Hipnose do que em outros pacientes (Montgomery, DuHamel & Redd, 2000; Patterson & Jensen, 2003). As estratégias psicofisiológicas usadas na Hipnose são equivalentes ou mais eficazes que outros tratamentos para a dor aguda e crônica, impactando em economia de tempo e dinheiro de pacientes e médicos.

Veja a reportagem do Fantástico Cirurgia para retirada de um câncer apenas com anestesia Hipnótica, sem anestesia geral ou remédio para dor. Créditos Globo Fantástico.
BLOG-Cirurgia-de-câncer-apenas-com-anestesia-Hipnótica-2b
Repórter experimenta a Anestesia Hipnótica. (Imagem: Reprodução/Programa Fantástico)

Na matéria que trago hoje, a Repórter Graziela Azevedo com o objetivo de explicar a técnica para a dor no Fantástico é Hipnotizada pelo Dentista Mohamed Bazzi. Durante o processo Bazzi pergunta a Repórter se está pronta para que seja inserida uma agulha em sua mão, quando Graziela responde que está pronta Bazzi imediatamente mostra o dorso da mão com a agulha que já estava de uma lado ao outro da pele e diz “já foi”.

VÍDEO | Cirurgia para retirada de um câncer apenas com anestesia Hipnótica, sem anestesia geral.
Créditos Globo Programa Fantástico

REPORTAGEM | Leia a Reportagem completa do transcrita abaixo.
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Por G1 com informações do Fantástico

Hipnose dispensa anestesia em cirurgias

‘Fantástico’ mostra caso de paciente que usou técnica para retirada de câncer. Durante o procedimento, ela conversou com Hipnólogo.

É possível fazer uma cirurgia para retirar um câncer sem anestesia geral, segundo o Hipnólogo Mohamad Mazzi. Ele usa a Hipnose para preparar o paciente para o procedimento. “Não tem um raio que sai da minha mão. Existe técnica. Vou usar uma forma monótona, tranqüila e repetitiva. Vou conversar com a pessoa e criar um estado de consciência adequado para o que estou querendo“, explica.

O Hipnólogo explica que, falando pausadamente, procura ativar certas áreas do cérebro. Essas áreas podem despertar várias reações, que vão do prazer à segurança, passando também pela sensação de anestesia. O processo, segundo Mazzi, é de sugestão. A partir de palavras faladas pausadamente, ele tenta induzir o cérebro. Segundo os especialistas, a Hipnose de palco – usada em espetáculos de mágica – gerou preconceito contra a técnica, que é antiga na medicina.

A aposentada Sônia Fuzinatto está entre os pacientes que optaram pela Hipnose. Ela diz ser alérgica a várias coisas, incluindo anestesia. Sônia explica que buscou a Hipnose para fazer a cirurgia para a retirada de um tumor do seio. “Fui descobrindo a fórmula e encontrei um caminho“, comenta.

Preparação

A cirurgia para a retirada do tumor de Sônia foi acompanhada pelo “Fantástico”, da TV Globo. Ela se preparou para a operação com várias sessões de Hipnose. Antes que a cirurgia fosse iniciada, uma hora de Hipnose foi necessária – o processo de “anestesia” também ganhou o reforço da acupuntura e de um leve anestésico local usado por dentistas.

Paciente Sônia Fuzinatto no preparo para Cirurgia com Anestesia Hipnótica.
(Imagem: Reprodução/Programa Fantástico)

O cirurgião responsável pela retirada do tumor só aceitou operar a aposentada após testar a técnica na biópsia pela qual ela passou. Durante a cirurgia de retirada do tumor, a paciente conversou com o hipnólogo. Depois da operação, ela afirmou ser “medrosa”. Mas reformulou: “Para muita coisa sou medrosa, mas a minha confiança de que isso ia dar certo era tão grande que deu tudo certo.”

Reportagem na fonte:
http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL39472-5598,00-HIPNOSE+DISPENSA+ANESTESIA+EM+CIRURGIAS.html

Estudante usa Hipnose para controlar ansiedade na véspera do ENEM

A ansiedade é caracterizada pelos sentimentos de medo, aflição e angústia, ela pode surgir em diferentes situações, interferindo – e muito – na qualidade de vida das pessoas.

Com o auxílio da Hipnose é possível com algumas técnicas inserir no inconsciente do Hipnotizado gatilhos com o intuito de direcionar a mente para certas tarefas, atitudes ou até palavras, no tema da reportagem,  para um estado de relaxamento, diminuindo a ansiedade instantaneamente. Com estas técnicas, quando aplicadas por profissionais capacitados, os efeitos são sentidos de imediato. Esta matéria do G1 pela TV Gazeta do Espírito Santo, demonstra uma das formas de como a Hipnose pode ser aplicada.

VÍDEO | Assista ao trecho sobre o tema logo abaixo.
Créditos G1 TV Gazeta Por Diony Silva

REPORTAGEM | Leia a Reportagem completa do G1 transcrita abaixo .
Para acessar o conteúdo direto da fonte clique no link no final da página.

Por G1 – TV Gazeta,  Diony Silva

Estudante do ES usa Hipnose para controlar ansiedade na véspera do Enem

Professores orientam que alunos relaxem na reta final. Primeiro dia de prova será neste domingo (5)

Na véspera do primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a estudante Natália de Oliveira pretende relaxar, e uma das dicas da estudante para controlar a ansiedade é a Hipnose. Ainda assim, ela admite que vai revisar o conteúdo se achar necessário.

As provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2017 serão aplicadas neste domingo (5) e no próximo, dia 12 de novembro. No Espírito Santo, mais de 137 mil pessoas se inscreveram para fazer as provas.

Essa semana foi muito difícil, porque teve muita ansiedade, muita coisa para revisar. Foi bem complicado, mas já está aí”, disse a estudante.

É a terceira vez que a Natália, que quer cursar jornalismo, faz o Enem. As frases coladas no guarda-roupa dela motivam e ajudam a estudante a se lembrar de fórmulas, mas os professores indicam distrações para a reta final.

Para controlar as emoções e relaxar, ela usa técnicas de Hipnose.

Eu gosto muito das sessões de Hipnose e acho que isso vai me ajudar muito para a prova de amanhã”.

BLOG-Site-Hipnose-para-controlar-ansiedade-na-véspera-do-Enem-1
Professor ajuda estudante com técnica de Hipnose

O professor de história Ailton Santos Júnior reforça que esse é o momento de descansar pra não se desesperar na hora da prova.

O Enem cobra uma preparação que você teve durante todo o seu período escolar, e é impossível você fazer isso nos últimos dias”, explicou.

Reportagem na fonte:
https://g1.globo.com/espirito-santo/educacao/noticia/estudante-do-es-usa-hipnose-para-controlar-ansiedade-na-vespera-do-enem.ghtml

Hipnose Condicionativa

O programa Vanguarda Comunidade da Rede Globo trata assuntos de interesse comunitário, na área de saúde, economia, emprego – “Todo mundo quer encontrar soluções para as suas dificuldades, o programa de hoje quer refletir sobre uma das possibilidades de tratamento para se chegar a um resultado melhor. Eu me refiro a Hipnose… técnica reconhecida pelo SUS como prática integrativa…”Carlos Abranches, jornalista e apresentador.

REPORTAGEM | Empenhados em apresentar ferramentas para aplicar na melhora da qualidade de vida de um modo geral, nesta edição o programa convidou a Hipnóloga de Jacareí Ecila Peres para falar sobre a Hipnose Condicionativa.

Em um leve bate papo o jornalista Carlos Abranches aborda o tema com sensibilidade, proporcionando um conteúdo rico e muito responsável. Abordaram casos onde foi aplicada a Hipnose como tratamento, contribuíram com informações sobre a história, o reconhecimento e com dicas para beneficiar-se da Hipnose. A paciente Simone R. Fortes, publicitária, contou como foi tratar-se com a Hipnose em três distintas situações, na Ansiedade, para a Perda de Peso com Condicionamento Físico e por fim na Auto Confiança.

VÍDEO Hipnose Condicionativa | Assista ao trecho sobre o tema logo abaixo.
Créditos Rede Globo – Vanguarda Comunidade – Carlos Abranches – São José dos Campos

Reportagem na fonte:
Bloco 1 – https://globoplay.globo.com/v/6801788/?s=0s
Bloco 2 – https://globoplay.globo.com/v/6801790/?s=0s
Bloco 3 – https://globoplay.globo.com/v/6801794/?s=0s

Verdades sobre a Hipnose

A Hipnose também ajuda o nosso cérebro a por as coisas no lugar certo.

Sandra Annenberg – Programa ‘Como Será?’ – Hoje é dia de Hipnose e o tema é Mitos e Verdades – Rede Globo. 

A matéria já começa falando do polemico filme ‘Corra!’ (Universal Pictures, 2017) onde a personagem se dizia ajudar aplicando técnicas de Hipnose, mas os objetivos eram na verdade reprováveis e nada alinhados com o Hipnotizado.

O repórter Alexandre Henderson vai até a Sociedade InterAmericana de Hipnose em busca de respostas e mais informações sobre a Hipnose. Alexandre conhece os casos de Victoria M. Laiso com Síndrome do Pânico, Depressão e Vício por Cigarros e de Raiane com Medo de Dirigir, Medo de Altura e Medo de Nadar.

A Hipnose ajuda a gente a entender esta máquina maravilhosa, e a perceber como é que ela impacta na vida de outras pessoas ao longo da nossa vida. E tem um aspecto muito interessante da Hipnose, ela ajuda a todos ressignificarem aquilo que não presta, ou seja, a gente reprograma a nossa mente e torna a vida mais doce, mais colorida.

Alexandre Henderson – Programa ‘Como Será?’ – Hoje é dia de Hipnose e o tema é Mitos e Verdades – Rede Globo.

VÍDEO | Assista ao trecho sobre o tema logo abaixo – Créditos programa ‘Como Será?’ com Sandra Annenberg – Globo.

Reportagem na fonte:
https://globoplay.globo.com/v/7016293/

Hipnose para reduzir a dor de pacientes com câncer

Já me arrumo, vou para a igreja. Já cuido da casa, dos meus filhos. Totalmente diferente. Não estou mais com dor

– afirma a paciente Anídia Santos a reportagem.

VÍDEO | Assista ao trecho sobre o tema logo abaixo.
Créditos G1 Bom dia Brasil.

REPORTAGEM | Leia a Reportagem completa do G1 transcrita abaixo .
Para acessar o conteúdo direto da fonte clique no link no final da página.

Por Bom dia Brasil

Tratamento inédito usa Hipnose para reduzir dor de pacientes com câncer

Pacientes continuam tomando remédios e indo a consultas com especialistas. Experimento é feito no maior hospital da rede pública do DF.

Um tratamento inédito em um hospital público de Brasília: Hipnose para reduzir a dor de pacientes com câncer. Experimento é feito em uma pesquisa de doutorado, em um hospital público de Brasília.

Os estudos sobre uso da Hipnose para aliviar dores começaram nos Estados Unidos ainda na década de 1950. Os médicos explicam que é possível, com a Hipnose, acionar a produção de substâncias que o corpo produz naturalmente e que tem uma ação analgésica, diminuem a dor.

A cabeleireira Anídia Santos passou por duas cirurgias para retirar o câncer: uma no estômago e outra nos ovários. Agora ela luta contra as dores do tratamento. E encontrou na Hipnose um alívio. “Já me arrumo, vou para a igreja. Já cuido da casa, dos meus filhos. Totalmente diferente. Não estou mais com dor”, afirma.

Antes ela não fazia ideia do que é ser Hipnotizada. Os pacientes deitam na maca ouvindo uma música de fundo e a voz suave do Hipnólogo, que faz com que eles se concentrem e fiquem em um estado de semi consciência.

“É o estado onde o paciente está mais suscetível às mudanças. Então ele consegue alterar os sintomas e manter quando consciente essa alteração. Por isso a gente trabalha dentro desse estado”, diz o Hipnólogo Gil Montenegro.

O atendimento é feito no maior hospital da rede pública do Distrito Federal. Mas não é oferecido pelo SUS. Faz parte de uma tese de doutorado sobre os efeitos da Hipnose no tratamento das dores, da ansiedade e depressão em pacientes com câncer.

A Hipnose é complementar ao tratamento do câncer. Os pacientes têm que continuar tomando os remédios e indo às consultas com os especialistas. “Os pacientes têm relatado melhora nos sintomas, principalmente no sintoma dor e principalmente a curto prazo. Então a gente tem tido retorno positivo desses pacientes”, afirma a médica Patrícia Ribeiro.

As sessões de Hipnose duram 30 minutos. O seu Francisco teve que tirar parte da laringe por causa do câncer. Ele não pode falar. Mas quando termina a sessão, mostra que está satisfeito com os resultados.

Já existem estudos também para uso da Hipnose como uma forma de ajudar a combater dores crônicas, enxaquecas e até dores de dente.

Reportagem na fonte:
http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/09/tratamento-inedito-usa-hipnose-para-reduzir-dor-de-pacientes-com-cancer.html